Bahia paga mais caro por combustível de refinaria vendida no governo Bolsonaro, aponta estudo

Diferença média na gasolina foi de 7% desde 2021 e saltou para cerca de 40% após o início da guerra no Irã, segundo levantamento ligado a petroleiros. A Acelen diz que segue critérios de mercado.

Por Redação Leitura de 3 minutos

A Refinaria de Mataripe, na Bahia, vendeu gasolina às distribuidoras, em média, 7% mais cara que a Petrobras entre dezembro de 2021, quando passou ao controle privado, e setembro de 2026. É o que aponta um levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps).

No mesmo período, a diferença média foi de 8% no diesel e de 25% no gás de cozinha (GLP), segundo o estudo, feito para o Observatório Social da Petrobras, entidade ligada à Federação Nacional dos Petroleiros.

A diferença aumentou depois de 28 de fevereiro de 2026, quando o início da guerra no Irã fez disparar o preço internacional do petróleo. Desde então, segundo o levantamento, a gasolina de Mataripe custou em média 40% mais que a da Petrobras, o diesel 52% e o GLP 42%.

Em setembro, a gasolina chegou a ser vendida pela refinaria baiana a R$ 3,95 o litro, contra R$ 3,05 da estatal, cerca de 29% a mais, segundo o Ibeps. Os valores são da venda às distribuidoras, antes de impostos, frete, mistura com etanol e margens dos postos.

R$ 6,7 bilhões, segundo estimativa

Os autores calculam que a diferença de preços somou R$ 6,7 bilhões entre dezembro de 2021 e setembro de 2026, o equivalente a cerca de R$ 470 por habitante da Bahia. Mais de 60% desse valor se concentrou nos meses de guerra.

O cálculo multiplica a diferença mensal de preço pelo volume vendido no estado e parte do princípio de que todo o aumento foi repassado ao consumidor. O estudo não mediu os preços nas bombas.

O que diz a Acelen

A Acelen, que administra a refinaria, afirma que seus preços seguem critérios de mercado, como a cotação do petróleo, o câmbio e o frete.

A comparação também reflete a política da Petrobras. Durante a guerra, a estatal segurou seus preços abaixo da paridade internacional. Em maio, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a gasolina de Mataripe estava 2% abaixo da referência do Golfo do México. Já entidades de petroleiros afirmam que a refinaria cobrou acima do preço de importação em boa parte do período, sobretudo no GLP.

Como foi a venda

A antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), em São Francisco do Conde, foi vendida pela Petrobras ao Mubadala Capital, braço de investimentos de um fundo soberano de Abu Dhabi, por US$ 1,65 bilhão. A venda foi concluída em 30 de novembro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).

A operação fez parte de um acordo da Petrobras com o Cade, assinado em 2019, para abrir o setor de refino à concorrência. Ela foi aprovada pelo TCU e pelo próprio Cade.

Na prática, porém, a Mataripe responde por quase todo o combustível vendido na Bahia. Segundo dados da ANP citados no estudo, de janeiro a setembro deste ano ela forneceu todo o diesel S-10, 81,5% da gasolina e cerca de 97% do GLP entregues às distribuidoras no estado.

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