O aumento de 17,5% no preço do gás de cozinha anunciado pela Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, reacendeu discussões sobre a privatização da unidade, realizada em 2021, durante o governo Jair Bolsonaro.
Nas redes sociais, leitores também passaram a questionar a decisão do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que autorizou, em outubro de 2026, a venda de parte das ações do Estado na Bahiagás.
Apesar das comparações, as operações são diferentes.
A Bahiagás foi privatizada?
Não houve transferência do controle da empresa. O governo baiano autorizou a venda de uma participação minoritária, mas o decreto determina que a Bahiagás continue sob controle estatal.
A companhia já possui acionistas privados. Segundo o governo, a operação busca atrair investimentos para ampliar a rede de distribuição de gás natural. A medida, porém, enfrenta questionamentos de representantes dos trabalhadores.
E o que aconteceu com a Acelen?
Em 2021, a Petrobras vendeu integralmente a Refinaria de Mataripe ao fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, por US$ 1,65 bilhão. Desde então, a unidade é administrada pela Acelen, que estabelece sua própria política de preços.
Após o reajuste de novembro, o GLP vendido pela refinaria passou a custar cerca de 75% mais que o preço de referência da Petrobras divulgado em outubro. A diferença se refere ao produto na origem, não ao valor final do botijão.
Há ainda outra distinção: a Bahiagás distribui gás natural canalizado, enquanto a Acelen produz, entre outros derivados, o GLP utilizado nos botijões de cozinha.
Assim, enquanto a Petrobras transferiu integralmente o controle da Refinaria de Mataripe à iniciativa privada, a operação autorizada pelo governo baiano prevê apenas a venda de uma participação minoritária da Bahiagás, preservando o controle estatal.
