O preço do gás de cozinha na Bahia sofreu um novo reajuste de 17,5% neste mês de novembro. O aumento foi anunciado pela Acelen, empresa que administra a Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (RLAM), vendida pela Petrobras em 2021, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro.
Com o reajuste, o preço do GLP na refinaria passou de R$ 51,63 para R$ 60,64 por quantidade equivalente a um botijão de 13 quilos. O valor é cerca de 75% superior aos R$ 34,70 praticados pela Petrobras, segundo referência divulgada em outubro pelo Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps).
A diferença não é recente. Segundo levantamento do instituto, desde a privatização, o gás comercializado pela Acelen custou, em média, 25% mais que o da Petrobras.
A concentração do mercado também chama atenção. Entre janeiro e setembro de 2026, a Refinaria de Mataripe respondeu por 97,7% do GLP fornecido às distribuidoras da Bahia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) citados pelo levantamento.
O impacto para o consumidor
O novo reajuste poderá elevar o preço do botijão entre R$ 12 e R$ 15 nas revendas baianas, segundo estimativa de representantes do setor.
A Acelen afirma que seus preços acompanham as oscilações do mercado internacional, do câmbio e dos custos de frete.
A privatização retirou a refinaria do controle da Petrobras e deu à nova proprietária autonomia para estabelecer sua política comercial. Embora a diferença de preços evidencie estratégias distintas entre as empresas, não é possível atribuir todos os reajustes exclusivamente à venda da unidade.
O aumento reacende o debate sobre os efeitos da privatização no abastecimento de gás de cozinha na Bahia, onde a Acelen concentra praticamente todo o fornecimento estadual.

